24/09/2011

Acervo que represente a sociedade. Usar redes sociais como fontes para seleção, é viável?

Acervo que represente a sociedade. Usar redes sociais como fontes para seleção, é viável?:

“É consensual que a destruição da antiga Biblioteca de Alexandria, no Egito, foi uma das perdas mais devastadoras do conhecimento em toda a civilização. Hoje, no entanto, a informação digital, que impulsiona nosso mundo e os poderes da nossa economia, é em muitos aspectos, mais suscetível à perda do que o papiro e pergaminho, em Alexandria”. (Barksdale e Berman, 2007)


Sim, assim como este blog vem alertando desde sua criação, estamos perdendo o controle – se é que um dia foi possível controlar – da preservação daquilo que é publicado por nossa sociedade. Isto ocorre em uma gravidade maior por estarmos em uma era onde todos podem publicar para todos, onde o canal de comunicação não é mais um emissor para diversos receptores e sim diversos emissores, que também são receptores para diversos receptores, que também são emissores, vivemos no contexto todos-todos.


“Apesar dessas importantes mudanças de percepção e modos de ser promovida pelos meios de comunicação de massa, a cultura digital possibilita um espaço de comunicação mais flexível que o produzido nas mídias como a impressa, o rádio e a televisão” (COUTO et al, 2008). Segundo o autor, sai o contexto de um o sistema hierárquico de produção e distribuição da informação, de um modelo rígido para um contexto todos-todos no ciberespaço. Ainda segundo o autor, “Nesse sentido, este ambiente comunicacional emerge com a potência que comporta o discurso democrático em sua gênese”.


São informações disponíveis em websites, em e-books independentes, vídeos, fotos e até em revistas digitais produzidas por grupos de pessoas, como no caso da Revista Manchete não autorizada que o Bibliotecno publicou aqui, e que não está mais no disponível. São informações únicas e que reflete de modo mais profundo o que é a sociedade, pois ao invés de versões da sociedade temos o material bruto do que é esta.


Como a Biblioteca seleciona seu conteúdo? Continuamos seguindo com aquela ideia de selecionar o que os principais autores, os “intelectuais” especializados em um tema produzem?


Não falo em eliminar o documento elaborado por especialistas, pesquisadores. Fazer isto seria loucura! Mas focar que a biblioteca deve focar-se também na preservação do que a sociedade como um todo produz. Função de uma Biblioteca Nacional? Também! Mas com um volume cada vez maior de produção de informação será inviável o sonho de uma biblioteca que faça a guarda da memória nacional e ai entram as demais bibliotecas, buscando a preservação da memória de um bairro, cidade, estado, universidade, classe social, buscando preservar informações que possam no futuro servir de conhecimento para pesquisas, para a ciência. Tornar a biblioteca mais social também é tornar o acervo desta algo que represente mais a sociedade.


Mas, como selecionar, ou pior, como descobrir o que é interessante de ser preservado, além daquele tipo de material que a biblioteca já está acostumada a manter em seus acervos?


Não tenho a resposta, mas de certa forma deve vir daquilo que a sociedade considere relevante, ou aquilo que tenha tido algum significado em algum momento. É ai que as redes sociais, hipoteticamente, podem ser utilizadas!


Quanta informação é compartilhada em uma rede social? Quantos tipos de redes sociais existem? Focadas em notícias, em livros, em profissões, músicas, são não apenas ferramentas de comunicação, mas repositórios de dados compartilhados pela sociedade, por um grupo de pessoa. Poderiam ser as redes sociais fontes de informação para a seleção documental? De websites, revistas digitais elaboradas por pequeno grupo de pessoas, ou mesmo as grandes revistas não acadêmicas, jornais, livros, arquivos de áudio, fotos?


Textos e principalmente hiperlinks compartilhados, livros debatidos, arquivos de música, entre outros, alguns se tornando virais – compartilhados em massa – outros com vasto volume de acessos e outros nem tanto. São indicadores do que a sociedade reconhece como importante para si, retratos desta e que poderiam servir para selecionar este tipo de material que viria a somar aqueles que já são atualmente adquiridos. E não apenas em relação a documentos digitais, pois uma rede social de livros pode indicar algo que nunca seria observado antes.


Mas basta acompanhar uma rede e coletar aquilo que é mais pesquisado? Não! Tem que fazer sentido para a realidade da comunidade e aos objetivos da biblioteca. É algo a ser pensado e discutido diante a este volume cada vez maior de informação produzida pela sociedade.










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